Olá a todos! Como o vosso blogueiro favorito no mundo da hotelaria, estou de volta para desvendar um tema que, confesso, me fascinou desde o primeiro dia: a eterna dança entre a teoria e a prática no universo dos hotéis.
Sabe, quando a gente estuda, tudo parece tão linear, com fluxogramas perfeitos e soluções ideais para cada situação. Mas, na vida real, no calor da operação, percebemos que o hóspede não lê o manual!
Eu mesma, na minha experiência, já me deparei com situações que nenhum livro didático conseguiria prever, desde um pedido inusitado de um hóspede até um imprevisto técnico no meio da noite.
A teoria nos dá uma base sólida, claro, mas é no dia a dia, com a imprevisibilidade e a criatividade, que realmente aprendemos a “fazer acontecer”. Com as tendências atuais, como a personalização extrema, a sustentabilidade e a integração de inteligência artificial e tecnologia contactless, a distância entre o que se aprende e o que se vive no hotel só aumenta, exigindo dos profissionais uma capacidade de adaptação e jogo de cintura que vai muito além das salas de aula.
É fascinante ver como a hotelaria em Portugal, por exemplo, está a recuperar e a inovar, enfrentando desafios como a escassez de mão de obra e a necessidade de digitalização, enquanto mantém o foco na experiência do cliente.
Como conseguimos, então, equilibrar a excelência do serviço com a eficiência operacional? É uma arte! Não fiquem curiosos, vamos mergulhar de cabeça neste assunto e descobrir como a magia acontece por trás das cortinas!
O Palco da Recepção: Onde a Teoria Encontra a Imprevisibilidade Humana

Quando o Hóspede Não Segue o Roteiro
Na receção, que eu carinhosamente chamo de o coração pulsante de qualquer hotel, somos bombardeados diariamente com situações que desafiam a lógica e os protocolos de um manual.
Eu me lembro de um hóspede que, após fazer o check-in online, insistia em mudar para um quarto com vista para um determinado tipo de árvore que ele tinha visto numa fotografia de há dez anos, e que, obviamente, já não existia.
Os manuais ensinam a gerir as expectativas, sim, mas não detalham como lidar com a nostalgia de alguém por uma paisagem que o tempo levou. É nesses momentos que o nosso jogo de cintura entra em ação, a nossa capacidade de escuta ativa e a nossa arte de oferecer alternativas que, por vezes, superam a expectativa inicial.
Não é só sobre resolver um problema, é sobre criar uma nova experiência positiva que o hóspede vai lembrar. É preciso ser um pouco psicólogo, um pouco detetive e muito, muito empático, para entender o que está realmente por trás do pedido.
A satisfação do cliente, nesse contexto, é uma dança delicada entre o que ele verbaliza e o que ele realmente deseja, e essa nuance raramente está nos livros.
O Labirinto da Gestão de Pedidos Especiais e Imprevistos
Além dos pedidos incomuns, há toda a gestão de imprevistos técnicos ou operacionais que surgem sem aviso prévio. Uma vez, durante a época alta em pleno Algarve, uma parte do sistema de aquecimento da piscina avariou.
Teoricamente, deveríamos seguir o plano de contingência, contactar a manutenção e informar os hóspedes. Na prática, tivemos hóspedes a querer usar a piscina imediatamente, crianças impacientes e adultos frustrados.
A decisão de como comunicar, quando comunicar e o que oferecer como compensação não é algo que um diagrama de fluxo consiga prever na totalidade. A comunicação transparente, aliada a um plano B criativo – como vouchers para atividades alternativas na região ou até mesmo um upgrade simbólico – fez toda a diferença.
O que aprendi é que a teoria nos dá as ferramentas básicas, mas a experiência e a inteligência emocional são as verdadeiras chaves para transformar um potencial desastre numa oportunidade de mostrar excelência no serviço.
É esta resiliência e a capacidade de pensar “fora da caixa” que distingue os grandes profissionais.
A Orquestra dos Colaboradores: Liderança Humana Acima dos Gráficos de Gestão
Desafios Diários de Comunicação e Motivação
Ah, a equipa! Aqueles que estão connosco na linha da frente, a materializar a experiência do hóspede. Na teoria, a liderança é um conjunto de diretrizes sobre delegação, feedback e avaliação de desempenho.
Na prática, é gerir egos, entender aspirações individuais e lidar com a fadiga de um setor que exige muito de todos. Lembro-me de uma situação em que uma colega, normalmente muito eficiente, começou a mostrar sinais de desmotivação.
Nenhum livro de gestão me diria para sentar e conversar sobre a sua vida pessoal, as suas preocupações fora do trabalho. Mas foi exatamente isso que eu fiz, e descobri que ela estava a passar por um momento difícil em casa.
A teoria foca-se na produtividade, mas a realidade mostra que um colaborador é um ser humano complexo, e a motivação vem de um lugar muito mais profundo do que um bónus de desempenho.
É preciso construir pontes, não muros, e isso exige uma sensibilidade que só a prática e a interação diária nos ensinam.
Onde a Empatia Supera os Quadros Hierárquicos
E por falar em pontes, a empatia é o cimento que as une. No mundo teórico, as estruturas organizacionais são rígidas e as hierarquias bem definidas. No dia a dia de um hotel, percebi que a verdadeira liderança não se mede pelo título, mas pela capacidade de se colocar no lugar do outro, seja um colega de receção, um chef de cozinha ou um elemento da equipa de limpeza.
Numa ocasião, tínhamos uma equipa de limpeza esgotada devido a uma série de check-outs tardios e check-ins antecipados. A solução teórica seria contratar mais pessoal, mas isso nem sempre é possível de imediato.
A solução prática foi eu mesma arregaçar as mangas e ajudar na limpeza de alguns quartos. Ver a “chefe” a varrer e a fazer camas criou um laço de respeito e camaradagem que nenhuma formação de liderança conseguiria simular.
A teoria pode fornecer as ferramentas, mas é a atitude, a disponibilidade e a genuína preocupação com o bem-estar da equipa que constroem uma cultura de sucesso e lealdade.
A Experiência do Hóspede na Era Digital: Transformando Dados em Emoções
Personalização: Para Além de um Nome na Reserva
Todos nós lemos sobre a importância da personalização na hotelaria, certo? É um mantra. Mas, na prática, ir além de usar o nome do hóspede no check-in é onde a magia acontece.
Teoria diz: recolha dados e use-os. Prática diz: use-os com inteligência e coração. Recentemente, tivemos um casal que vinha para o hotel para celebrar o seu 25º aniversário de casamento.
A teoria nos levaria a deixar uma garrafa de espumante no quarto. Mas, com um pouco de pesquisa e uma conversa mais aprofundada durante a reserva, descobri que eles se tinham conhecido num concerto de fado.
Surpresa! Não só o espumante, mas também dois bilhetes para uma casa de fados local e um CD de fado autografado. O brilho nos olhos deles era impagável.
É essa “experiência baseada em dados, mas guiada pela emoção” que os livros não conseguem ensinar. É a diferença entre um serviço “bom” e um serviço “inesquecível”.
A personalização na prática exige curiosidade, sensibilidade e a vontade de ir sempre um passo além do esperado, transformando uma estadia num pedaço da sua própria história.
Feedback Instantâneo e a Arte de Lidar com Críticas
No mundo digital de hoje, o feedback é instantâneo e pode ser brutal. A teoria ensina a monitorizar as plataformas, a responder profissionalmente e a aprender com as críticas.
Na prática, receber uma crítica negativa sobre algo que controlamos ou não controlamos pode ser desmoralizante. Aprendemos a desenvolver uma pele grossa, mas também a arte de transformar uma queixa num elogio.
Lembro-me de um hóspede que reclamou efusivamente sobre o barulho da rua (algo que o hotel não controla diretamente, mas pode mitigar). Em vez de uma resposta padrão, ofereci-lhe um upgrade para um quarto nos pisos superiores, virado para a parte traseira do hotel, e um desconto na próxima estadia.
A resposta dele foi fantástica, e ele tornou-se um dos nossos mais fiéis clientes. A teoria é importante para a estrutura, mas é a agilidade, a humildade e a capacidade de converter a adversidade em oportunidade que realmente define um serviço de excelência.
É um processo contínuo de aprendizagem e adaptação, onde cada crítica se torna uma aula valiosa.
Sustentabilidade Hoteleira: Do Manifesto Verde à Ação Efetiva no Terreno
Escolhas de Fornecedores e o Impacto Real nas Operações
A sustentabilidade é um tema quente, e com razão. Os manuais de gestão hoteleira estão cheios de capítulos sobre como ser “verde”. Mas a realidade de implementar práticas sustentáveis, especialmente na escolha de fornecedores, é um desafio em Portugal.
Não basta procurar o selo ecológico; é preciso investigar a fundo. Eu, pessoalmente, passei meses a visitar produtores locais de frutas e vegetais, a verificar as suas práticas de cultivo, o uso de pesticidas e a forma como geriam os seus resíduos.
A teoria diz “apoie o local e o sustentável”. A prática é sujar as mãos, visitar quintas, negociar preços que nem sempre são os mais baixos e educar a equipa de compras sobre a importância de não ceder à facilidade do fornecedor de sempre.
Há que ter paciência, mas garanto-vos que o impacto, tanto na qualidade do que oferecemos como na consciência ambiental da nossa equipa, compensa todo o esforço.
É uma maratona, não um sprint, e exige um compromisso inabalável com os nossos valores.
Consciencialização da Equipa e o Envolvimento do Hóspede
Uma coisa é ter políticas de sustentabilidade no papel; outra é fazê-las viver no dia a dia do hotel. A teoria sugere treinamentos e campanhas internas.
Na prática, descobri que a melhor forma de envolver a equipa é através do exemplo e da demonstração do impacto real das suas ações. Explicar que cada toalha não lavada economiza X litros de água e que essa água pode ser usada para regar as plantas do jardim do hotel, por exemplo, torna a ideia tangível.
E o hóspede? A teoria fala em informar sobre as opções sustentáveis. A prática é ir além, incentivando o envolvimento ativo.
Colocámos pequenos cartões nos quartos a explicar a nossa pegada ecológica e convidámos os hóspedes a participar numa iniciativa de plantação de árvores local durante a sua estadia.
Muitos aderiram, e o feedback foi espetacular! É a prova de que a sustentabilidade não é uma obrigação, mas uma oportunidade de criar uma ligação mais profunda e significativa com quem nos visita.
Tecnologia em Hotelaria: Da Promessa de Eficiência à Integração Real

Implementar Novas Ferramentas: Surpresas no Caminho
A inteligência artificial, as plataformas de check-in sem contacto, os assistentes virtuais… a tecnologia promete otimizar tudo! Os livros de gestão são recheados de casos de sucesso.
Mas quem já tentou implementar um novo software num hotel sabe que a realidade é um campo minado de surpresas. Lembro-me da nossa tentativa de introduzir um sistema de reconhecimento facial para acesso aos quartos, com o objetivo de modernizar e agilizar o processo.
Na teoria, parecia simples. Na prática, tivemos problemas de compatibilidade com os telemóveis dos hóspedes, falhas de rede em momentos cruciais e a resistência de alguns hóspedes mais conservadores à nova tecnologia.
Tivemos de recuar, adaptar, e finalmente, encontrar um equilíbrio entre a inovação e o conforto do cliente. A lição que tirei é que a tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas a sua implementação deve ser feita com cautela, testada exaustivamente e sempre com foco na experiência humana, e não apenas na eficiência fria dos processos.
A IA como Aliada, Não como Substituta da Interação Humana
A Inteligência Artificial é fascinante e está a transformar a hotelaria. Mas a teoria, por vezes, faz parecer que a IA vai substituir grande parte da interação humana.
Na prática, o que vejo é a IA como uma aliada poderosa, libertando a nossa equipa para tarefas mais significativas e pessoais. Por exemplo, a IA é excelente a responder a perguntas frequentes e a gerir pedidos básicos através de chatbots.
Isto significa que os meus rececionistas têm mais tempo para conversar com os hóspedes, para oferecer recomendações personalizadas e para resolver problemas complexos que exigem empatia e inteligência emocional.
Eu diria que a IA lida com o “o quê” e o “onde”, permitindo que os nossos colaboradores se concentrem no “como” e no “porquê”, que é onde a verdadeira magia da hospitalidade reside.
Acredito que o futuro da hotelaria está na simbiose perfeita entre a eficiência da tecnologia e o calor insubstituível do toque humano, algo que a IA, por mais avançada que seja, nunca conseguirá replicar na sua totalidade.
A Dança dos Números: Finanças Hoteleiras Para Além das Folhas de Cálculo
Orçamentos Flexíveis e as Despesas Inesperadas
Gerir as finanças de um hotel é uma arte que vai muito além das folhas de cálculo e das projeções teóricas. Um orçamento, por mais bem feito que seja, é apenas um ponto de partida.
Na prática, a hotelaria está constantemente a lidar com o inesperado: um aumento súbito nos custos de energia, uma reparação urgente de um equipamento essencial ou até mesmo flutuações cambiais que afetam as compras internacionais.
Eu já passei por situações em que um orçamento que parecia robusto em janeiro teve de ser completamente revisto em março devido a eventos externos imprevisíveis.
A teoria ensina a planear; a prática ensina a adaptar-se com agilidade, a ter um fundo de emergência robusto e a ser criativo na procura de soluções para cortar custos sem comprometer a qualidade do serviço.
É como um jogo de xadrez constante, onde cada movimento deve ser cuidadosamente ponderado, mas onde também é preciso saber improvisar.
Estratégias de Revenue Management em Cenários Voláteis
O Revenue Management, na teoria, é uma ciência exata de otimização de preços baseada em dados históricos e projeções. Na prática, num mercado tão dinâmico como o português, especialmente com a recuperação pós-pandemia, é um desafio constante.
As tendências mudam rapidamente, a concorrência é feroz e os comportamentos dos consumidores são cada vez mais imprevisíveis. Tivemos de aprender a ser menos dependentes dos dados históricos e a focar-nos mais em indicadores de mercado em tempo real, na análise da concorrência e até na perceção de eventos globais que podem afetar o turismo.
Há momentos em que, contrariando o que diria um livro, baixamos um pouco os preços para garantir a ocupação, mesmo que isso signifique uma margem menor a curto prazo, porque manter o hotel cheio é vital para a moral da equipa e para o buzz social.
É uma linha ténue entre maximizar o lucro e garantir a sustentabilidade a longo prazo, e essa balança é ajustada quase diariamente no campo de batalha da operação hoteleira.
Marketing e Vendas: Atrair e Retornar num Mercado Vibrante
O Poder do Storytelling Local no Digital
No papel, o marketing hoteleiro parece uma fórmula com segmentação de mercado, canais de distribuição e campanhas sazonais. Na prática, especialmente em Portugal, descobri que o que realmente cativa as pessoas é o storytelling autêntico e local.
Não se trata apenas de mostrar fotos bonitas do hotel. É sobre partilhar a história da comunidade em que estamos inseridos, os sabores regionais, as tradições locais, as pessoas.
Lembro-me de uma campanha que fizemos focada nas lendas e mitos da região de Sintra, onde o nosso hotel está localizado. Em vez de promoções de quartos, contamos histórias de fadas e reis, e ligamos a experiência do hotel a essa mística.
O impacto foi surpreendente! A taxa de envolvimento nas redes sociais disparou e recebemos comentários de pessoas que queriam vir “viver a lenda”. A teoria fornece a estrutura, mas é a criatividade, a paixão pela cultura local e a vontade de contar uma história verdadeira que transformam um anúncio em algo memorável e apelativo.
É um convite para uma experiência, não apenas para uma estadia.
Adaptar-se às Tendências de Viagem Pós-Pandemia: Flexibilidade é a Chave
A pandemia virou o mundo do avesso, e com ele, as tendências de viagem. O que os livros ensinavam sobre picos de reserva e sazonalidade mudou drasticamente.
Na prática, tivemos de nos tornar incrivelmente flexíveis e ágeis. Os viajantes agora procuram mais flexibilidade nas reservas, opções de trabalho remoto em hotéis e uma forte ênfase na saúde e segurança.
Passámos a oferecer pacotes de “workation”, onde os hóspedes podiam trabalhar do hotel com toda a infraestrutura necessária, e implementámos políticas de cancelamento ultra flexíveis.
Também investimos muito na comunicação das nossas medidas de higiene e segurança, algo que antes seria um detalhe, mas que agora é crucial. A teoria pode dar-nos uma base, mas a resiliência e a capacidade de ler o mercado e adaptar-se rapidamente são os verdadeiros trunfos para se manter relevante e competitivo.
É um jogo constante de observação, adaptação e, acima de tudo, de escuta atenta às necessidades em constante mudança dos nossos futuros hóspedes.
| Aspeto | Teoria em Hotelaria | Realidade da Operação Hoteleira |
|---|---|---|
| Recursos Humanos | Recrutamento por competências, planos de formação estruturados, hierarquia definida. | Gestão de personalidades, motivação constante, desafios de comunicação interpessoal, empatia essencial. |
| Gestão de Clientes | Segmentação de mercado, protocolos de atendimento, gestão de reclamações padronizada. | Atendimento personalizado, antecipação de necessidades, resolução criativa de problemas únicos, transformar queixas em oportunidades. |
| Tecnologia | Implementação de sistemas avançados para eficiência e otimização de processos. | Testes extensivos, resolução de incompatibilidades, formação da equipa, resistência à mudança, equilíbrio com o toque humano. |
| Sustentabilidade | Políticas ambientais, certificações, redução de pegada ecológica. | Seleção criteriosa de fornecedores, envolvimento ativo da equipa e hóspedes, superação de custos iniciais, comunicação transparente. |
| Finanças | Orçamentação anual, projeções de receita, análise de rentabilidade. | Revisões orçamentais constantes, gestão de despesas inesperadas, flexibilidade em cenários voláteis, ajustes de preços em tempo real. |
Para Concluir
E chegamos ao fim da nossa jornada sobre a fascinante dualidade entre a teoria e a prática no mundo da hotelaria! Confesso que, ao longo dos anos, cada desafio e cada vitória me ensinaram que os livros nos dão um excelente ponto de partida, mas é a nossa capacidade de sentir, de nos adaptarmos e de inovar que realmente faz a diferença. Não somos meros executores de protocolos, somos artesãos de experiências, e cada hóspede, cada membro da equipa, e cada imprevisto, molda a nossa arte. É essa imprevisibilidade, aliada à paixão, que torna a nossa profissão tão vibrante e recompensadora. Que possamos continuar a aprender, a errar e a acertar, sempre com um sorriso no rosto e a hospitalidade no coração, transformando cada estadia numa memória inesquecível para quem nos visita.
Dicas e Informações Valiosas
1. Abrace a Flexibilidade: A hotelaria moderna exige uma mente aberta e a capacidade de se adaptar rapidamente. Aquilo que funcionou ontem pode não funcionar hoje, e é essencial estar preparado para ajustar estratégias, seja na gestão de equipas, na oferta de serviços ou na abordagem de marketing. Eu diria que a rigidez é o maior inimigo da inovação no nosso setor, pois o mercado e as expectativas dos hóspedes estão em constante evolução, especialmente em Portugal, onde o turismo é tão dinâmico. Estar pronto para mudar o rumo é crucial para se manter competitivo e relevante.
2. Invista na Conexão Humana: Por mais que a tecnologia avance, o toque humano continua a ser o diferencial mais poderoso. Valorize a empatia, a comunicação genuína e a construção de relacionamentos autênticos com a sua equipa e com os seus hóspedes. Lembre-se, um sorriso sincero ou uma conversa atenta podem valer mais do que qualquer gadget sofisticado. É essa interação pessoal, o sentido de acolhimento genuíno que tanto prezamos em Portugal, que transforma uma simples estadia numa experiência memorável e faz com que os hóspedes queiram regressar e recomendar o seu espaço.
3. Sustentabilidade é Mais do que um Slogan: A sustentabilidade deve ser intrínseca à sua operação. Não se trata apenas de cumprir normas, mas de integrar práticas ecológicas e sociais em cada decisão, desde a escolha de fornecedores locais que respeitem o ambiente até à educação dos hóspedes sobre o consumo consciente. Os viajantes de hoje procuram experiências conscientes, e a sua autenticidade e compromisso com o planeta e a comunidade local serão recompensados com a lealdade e a preferência por parte de um segmento de mercado cada vez mais informado e exigente.
4. Tecnologia como Aliada, Não como Substituta: Use a tecnologia para otimizar processos e libertar a sua equipa para o que realmente importa: a interação personalizada. Chatbots, check-ins digitais e sistemas de gestão são fantásticos para eficiência, mas o calor humano da receção, a conversa com o concierge ou a atenção da equipa de restaurante são insubstituíveis e devem ser o foco principal. Acredito firmemente que a tecnologia deve servir para aprimorar, e não para substituir, a essência da hospitalidade, permitindo que a nossa equipa dedique mais tempo a criar momentos verdadeiramente especiais para cada hóspede.
5. O Feedback é um Presente: Encare cada crítica e cada sugestão como uma oportunidade de melhoria. No ambiente digital, o feedback é constante, e a sua resposta, rápida e genuína, pode transformar um hóspede insatisfeito num embaixador leal. É uma lição que aprendi cedo na minha carreira: a arte de transformar o limão em limonada começa por ouvir atentamente, agir proativamente e mostrar que a opinião do hóspede é valorizada. Uma gestão eficaz do feedback não só melhora o serviço, como também fortalece a reputação e a confiança na marca do seu hotel.
Pontos Chave a Reter
No fundo, o sucesso na hotelaria não se encontra apenas nos livros ou nas planilhas, mas na arte de equilibrar a teoria com a riqueza da experiência prática. A gestão de pessoas e de hóspedes exige uma dose imensa de empatia, jogo de cintura e uma paixão genuína por servir. A tecnologia, quando bem integrada, potencializa o nosso trabalho, permitindo que a nossa equipa brilhe onde realmente importa: na interação humana e nação de memórias. A sustentabilidade e o marketing autêntico, por sua vez, são pilares que não só atraem, mas também retêm um público cada vez mais consciente e exigente. Acima de tudo, o que nos faz avançar é a capacidade de nos reinventarmos, de aprendermos com cada dia e de celebrarmos a beleza da hospitalidade portuguesa em cada detalhe, garantindo que cada estadia seja mais do que uma visita, mas uma verdadeira experiência de vida.
Perguntas Frequentes (FAQ) 📖
P: Como podemos realmente preencher a lacuna entre o que aprendemos nos cursos de hotelaria e a realidade dinâmica do dia a dia no hotel?
R: Ah, essa é a pergunta de um milhão de euros! Na minha vivência, percebi que a teoria nos dá o mapa, mas a prática nos ensina a navegar pela tempestade.
Os cursos são fundamentais para nos dar uma base sólida, claro, com todo o conhecimento técnico e os fundamentos da gestão hoteleira. Mas o segredo para encurtar essa distância está, na minha humilde opinião, em algumas ações chave que podemos e devemos abraçar.
Primeiro, estágios e experiências profissionais intensivas são ouro puro! É ali, no terreno, que sentimos o pulso da operação, lidamos com a pressão, a imprevisibilidade e a complexidade das relações humanas – tanto com hóspedes quanto com a equipa.
Segundo, a capacidade de adaptação. Em Portugal, onde o turismo está sempre a evoluir, a capacidade de ajustar-se a novas condições, de ser flexível e de aprender continuamente é uma competência cada vez mais valorizada.
O hóspede de hoje não é o mesmo de ontem, e as suas expectativas mudam constantemente, pedindo uma personalização que a teoria nem sempre consegue abordar em detalhe.
Precisamos desenvolver a inteligência emocional para lidar com o inesperado, manter a calma e encontrar soluções criativas. É um processo de aprendizagem contínua, onde cada novo desafio se torna uma oportunidade para afinar os nossos talentos.
P: Quais são os maiores desafios inesperados que a tecnologia (IA, contactless) e a sustentabilidade trazem para a operação hoteleira em Portugal, e como os superamos?
R: Olha, essa é uma área que me fascina! A tecnologia, com a inteligência artificial, os chatbots e as soluções contactless, está a revolucionar a forma como os hotéis operam em Portugal.
A intenção é clara: melhorar a experiência do hóspede, personalizar serviços e otimizar a eficiência operacional. Mas, como tudo na vida, há um lado que nos tira do sério!
O maior desafio é, sem dúvida, o equilíbrio entre a digitalização e o toque humano. Como dizem, “o digital não pode substituir o lado humano”. Muitos hóspedes valorizam a conveniência de um check-in virtual, por exemplo, mas ainda querem sentir o acolhimento de uma pessoa, uma conversa genuína, aquele “bom dia” caloroso.
A sustentabilidade é outro pilar essencial, e o turismo em Portugal está a investir muito nisso, com o apoio de plataformas como a FOREST do Turismo de Portugal, que simplificam o reporte e promovem boas práticas.
Contudo, integrar estas práticas no dia a dia, desde a gestão de resíduos à eficiência energética, pode ser um quebra-cabeças complexo, especialmente para hotéis mais pequenos com recursos limitados.
A solução passa por formação contínua da equipa, investindo em soluções tecnológicas “made in Portugal” que se adaptem à nossa realidade e, acima de tudo, uma comunicação transparente com os hóspedes, mostrando o nosso compromisso e convidando-os a fazer parte da solução.
Na minha experiência, quando o hóspede sente que está a contribuir para um bem maior, a adesão é fantástica!
P: Qual o conselho mais valioso que daria a alguém que está a começar na hotelaria em Portugal para não se deixar desencorajar pela diferença entre o “sonho” e a “realidade”?
R: Ah, o brilho nos olhos de quem está a começar é algo que me enche de energia! Mas sei bem que a realidade pode ser um choque. O conselho mais valioso que vos posso dar, com a mão no coração, é: preparem-se para a aventura e abracem a imprevisibilidade!
A hotelaria não é para os fracos de espírito, mas é para os apaixonados. Em Portugal, o setor hoteleiro é um dos mais fortes e com grande potencial de crescimento.
Vão encontrar desafios, como a necessidade de falar vários idiomas e, por vezes, horários exigentes. Eu própria já passei noites em claro a resolver imprevistos que não aparecem em nenhum manual!
Mas é exatamente nesses momentos que a vossa criatividade e capacidade de resolução de problemas serão postas à prova. Cultivem a resiliência e a curiosidade.
Estejam abertos a aprender com cada situação, cada hóspede, cada colega de equipa. A humildade de saber que estamos sempre a aprender é uma das maiores virtudes neste setor.
E não se esqueçam que a hotelaria é feita de pessoas para pessoas. O sorriso, a atenção ao detalhe, a capacidade de fazer um hóspede sentir-se especial – isso não se aprende em livro nenhum, vem de dentro.
A vossa paixão pelo serviço será o vosso maior trunfo para transformar o “sonho” numa “realidade” incrivelmente gratificante. É uma carreira que vos permite conhecer o mundo sem sair do sítio, e isso, meus amigos, não tem preço!






